Verinha


A Infância de Vera e suas três irmãs não foi fácil. “Nossa mãe faleceu em 1940, em consequência de uma pneumonia e de parto. Isso nos tornou ─ as quatro irmãs ─ muito ligadas. Juntas, enfrentávamos o mundo e a vida”, contou a irmã, professora Nair Muls, em depoimento a este Memorial.

Apesar das dificuldades, a professora Vera guardava boas memórias desse período, e certa vez disse em entrevista à Revista Enfoque Empresarial:

“Minha mãe morreu quando eu tinha 3 anos e meu pai ficou sozinho com quatro filhas pequenas. Ele era uma pessoa maravilhosa e até hoje eu sinto saudade dele, que sempre dizia: ‘Não vou deixar herança nenhuma para vocês’. E, realmente, não deixou. Mas deixou outras riquezas: cultura e educação.”
Vera e a irmã Nair

Vera e irmã Nair

Vera e a irmã Nair

Vera e irmã Nair

José Costa, o pai de Nair, Vera, Lúcia e Rachel, era jornalista e fundador do Diário do Comércio, em Belo Horizonte. Dele, Vera herdou o amor pelos livros. Mas, nesse tempo, Verinha – como foi chamada ao longo de toda a vida, mas apenas pelos mais próximos – ainda não pensava em tornar-se educadora. Seu sonho era ser médica, como o tio que as irmãs costumavam visitar no interior, durante as férias escolares.

Do pai, José Costa, Vera herdou o amor pelos livros

Do pai, José Costa, Vera herdou o amor pelos livros

Para uma menina nascida em 1937, no entanto, a escolha de uma carreira não era tão fácil: o pai não permitiu que ela estudasse Medicina, e Vera acabou se formando técnica de Contabilidade pela Escola Técnica de Comércio Inconfidência, em Minas Gerais, em 1955.

Sem poder estudar Medicina, Vera acabou formando-se técnica em Contabilidade

Sem poder estudar Medicina, Vera acabou formando-se técnica em Contabilidade

Ela trabalhou como secretária até que, aos 20 anos, teve sua primeira experiência em sala de aula, quando foi convidada a estagiar no Grupo Escolar Helena Pena, em Belo Horizonte. Ela ainda não sabia, mas nascia naquele momento uma nova Vera, a Educadora.

Esposa e Mãe


Paulo e Vera se conheceram em Niterói, durante umas férias de julho.

Os tempos eram outros. Ná década de 1950, namoro era na sala de casa, na frente dos pais, e noivado era anunciado à Sociedade.

Convite de noivado de Paulo e Vera

Convite de noivado de Paulo e Vera

Depois de dois anos de noivado, Vera com Paulo Antonio Mussa Gissoni se casaram. A cerimônia aconteceu em 9 de janeiro de 1960.

Convite de casamento de Paulo e Vera

Convite de noivado de Paulo e Vera

O casal mudou-se para o Rio de Janeiro e instalou-se numa chácara em Realengo. Os primeiros anos foram difíceis. “Tudo era longe”, lembrava Vera, que pegava o trem diariamente para trabalhar como secretária no centro da cidade. E as coisas não ficaram mais fáceis quando nasceu o primeiro filho do casal, Humberto.

Humberto, o primeiro filho do casal

Humberto, o primeiro filho do casal

Dois anos depois, chegou o segundo filho, Marcelo.

Marcelo, o segundo filho, nasceu em 1962

Marcelo, o segundo filho, nasceu em 1962

Nessa altura, o casal já tocava uma pequena escola no Barata, e os filhos viviam por ali, entre alunos e professores, ou acompanhando Vera em suas andanças para resolver questões burocráticas ou aprender mais, para ensinar melhor. Quando resolveu fazer Pedagogia, por exemplo, Vera não teve outra alternativa que não levar com ela para a sala de aula o filho mais velho, Humberto. “Ele ficava no cantinho, brincando sozinho”, se lembrava ela quando falava daqueles primeiros anos.

Mas Vera contava com uma ajuda preciosa, de Hilza, que cuidou de seus filhos com carinho de mãe durante as ausências constantes da professora Vera, que lutava para levar adiante o sonho de ampliação da escola, nesse momento já transformado em Ginásio e, pouco depois, Científico e Curso Técnico.

Hilza, sobre quem Vera escreveu certa vez: “Sei que meu esforço, aliado ao auxílio inestimável de Hilza, que cuidou deles com tanto carinho, foi o que me permitiu dar a eles educação e cultura”.

Hilza, sobre quem Vera escreveu certa vez: “Sei que meu esforço, aliado ao auxílio inestimável de Hilza, que cuidou deles com tanto carinho, foi o que me permitiu dar a eles educação e cultura”.

Ana Paula, a única filha menina, que Vera chamava carinhosamente de “minha princesinha”

Ana Paula, a única filha menina, que Vera chamava carinhosamente de “minha bonequinha”

Ana Paula, a única filha do casal, nasceu em 1969, mesmo ano que que a professora Vera se formou em Pedagogia pela Universidade Gama Filho. Ela se lembra de dormir entre documentos escolares e provas em correção. Com o tempo, a escola, assim como a família, cresceram. Os filhos passaram de alunos a funcionários da instituição e hoje são os dois filhos mais novos da professora Vera, Marcelo e Ana Paula, herdeiros da paixão da mãe pela Educação, que tocam o negócio da família.

A partir da década de 1980 começaram a chegar os netos. Foram sete ao todo: os filhos de Marcelo, Bruno, nascido em 1986; Matheus em 1994; Raphaella em 1999, e Gabriella em 2007; e os filhos de Ana Paula, Lucca, nascido em 1995; Enzo em 1997, e Bruna em 2001.

É de 2009 uma das poucas fotos que reúne toda a família de Vera Costa Gissoni: os 3 filhos e os 7 netos

É de 2009 uma das poucas fotos que reúne toda a família de Vera Costa Gissoni: os 3 filhos e os 7 netos

Como mãe e avó, Vera nunca foi muito presente. “Ela viajava e eu nem sabia para onde ela tinha ido ou quando voltava”, conta Ana Paula Gissoni. É que as obrigações do colégio, depois da faculdade e por fim da universidade tomavam cada minuto da professora Vera.

Universidade Castelo Branco: família estendida

Universidade Castelo Branco: família estendida

A UCB era a sua família. Muitos funcionários e amigos se lembram de Vera como uma mãe. Talvez tenha contribuído para essa memória o hábito que ela tinha de chamar as pessoas com um “Meu filho...” ou “Minha filha...”. Mas seguramente é mais que isso: é resultado do carinho que ela nutria pelo lugar que construíra e por todos aqueles que a ajudavam nesse projeto de vida em prol da Educação.

“Ela era muito carinhosa. Eu tenho muitas lembranças dela sendo firme, veemente, sendo inclusive mais ríspida; mas tenho também muitas lembranças desse lado doce dela, de preocupação com o outro, de perguntar pelos filhos, querer saber como estava a família...”,

lembrou em depoimento para esse Memorial a professora Tatiane Duarte, que conviveu com a Vera Gissoni por 14 anos.

Nas palavras de Luiz Otávio dos Santos, que cresceu na casa dos sogros de Vera e conviveu com ela por toda a sua vida, ela era uma “mãe arredia”.

“Ela nos tratava como filho, mas era aquela mãe que cobrava muito. Me lembro uma vez em que ela me disse assim: ‘Luiz Otávio, você vai se sentar ali agora e escrever o seu discurso de formatura. Depois você me passa que eu quero ver. Se não estiver bom, você vai fazer tudo de novo’.”

Essa mãe exigente era a “Verinha Furacão” para os íntimos: “onde ela passava ela deixava o seu rastro”. Para o filho Marcelo, essa era a forma de ela demonstrar seu amor.

“Ela dava muita liberdade para a gente. Ela aconselhava, nos dizia o que achava, mas deixava que a gente decidisse. E deixava a gente quebrar a cara também... Essa liberdade, eu acho que era o jeito de ela dizer que nos amava”.

Não é esse o grande papel do educador?

Uma Vera Sapeca!


“Existia uma Vera, que só os amigos conheceram: era a Vera sapeca”, conta a filha Ana Paula, descrevendo uma imagem distante daquela da professora compenetrada e em alguns momentos até ríspida que se via dentro da Castelo Branco.

“Quando a gente viajava, ela era levada, divertida, falava besteira... Pronta para tudo, com uma energia, um pique muito legal. Eu via uma criança dentro dela! Ela era muito engraçada, muito espontânea.”
Uma Vera diferente e divertida

Uma Vera diferente e divertida

Um dos grandes prazeres de Vera Gissoni era viajar

Um dos grandes prazeres de Vera Gissoni era viajar

Vera Wenceslau, viúva do professor Carlos Wenceslau, também se lembra de Vera Gissoni como uma “companheira de farra”.

“Tivemos muitos momentos felizes, na universidade, na casa na Ilha de Itacuruçá, na casa da Boiúna... Eram festas, confraternizações. Ela era muito amiga, muito companheira, foi muito bom”.
A Vera festeira muitas vezes surpreendia aqueles que só conheciam seu lado mais austero

A Vera festeira muitas vezes surpreendia aqueles que só conheciam seu lado mais austero

Eram famosas, por exemplo, as festas de Natal promovidas por Vera, desde os tempos da escola do Barata. Nesses momentos de pausa, ela deixava de ser a professora Vera Gissoni para se tornar simplesmente Vera. Luiz Otávio dos Santos tem boas memórias de alguns desses momentos.

No Natal, todos os amigos e parentes eram lembrados, com presentes que ela deixava no pé da árvore

No Natal, todos os amigos e parentes eram lembrados, com presentes que ela deixava no pé da árvore

“Lindo o que ela fazia no Natal. Todos tinham uma lembrancinha, que ela deixava no pé da árvore. Ela fazia aquelas festas lindas, juntava todas as crianças e naquela hora não tinha o filho da empregada ou de quem quer que fosse. Naquele momento eram todos iguais, ali era a Vera, não a professora Vera Gissoni”.

Uma Grande Educadora


Quando se casou e veio com o marido para Realengo, Vera Costa Gissoni era ainda a técnica em Contabilidade, com emprego de secretária no centro da cidade.

Foi quase ao acaso que Vera deixaria a profissão de técnica em Contabilidade para se tornar a grande educadora que foi.

Foi quase ao acaso que Vera deixaria a profissão de técnica em Contabilidade para se tornar a grande educadora que foi.

A grande mudança em sua vida viria no ano seguinte.

A família Gissoni possuía um salão que era alugado a um professor que mantinha ali sua pequena escola. Com a morte do professor, a primeira opção foi fechar o salão, mas isso deixaria sem estudo cerca de 25 crianças que tinham naquele lugar sua única opção de educação. O casal resolveu então assumir a pequena escola primária.

A pequena instituição de ensino da localidade do Barata, na Rua Ocaibi, 160, um dia se transformaria na primeira universidade da Zona Oeste, mas naquele momento a professora Vera Gissoni ainda se preocupava em manter abertas as portas daquela primeira escola. Para isso, era preciso, antes de mais nada, convencer os pais a matricularem seus filhos.

Para “garimpar alunos”, Vera tinha uma ferramenta de trabalho especial: uma bicicleta, com a qual visitava casa por casa, conversando com os pais. Sua paixão pelas bicicletas perdurou por toda a vida...

Nessas visitas, Vera admitia alunos pelo valor que as famílias pudessem pagar. “Naquelas condições, não era possível estabelecer um valor de mensalidade, e eu não podia deixar aquelas crianças fora da escola”, contou ela em uma entrevista em 2009.

Nos primeiros anos, Vera fazia de tudo no novo Colégio Paulo Gissoni, ou CPG, como era chamado. Ela era professora, secretária, administradora e até a responsável por cozinhar a merenda dos alunos, entre uma aula e outra.

Assista a um trecho de um depoimento da professora Vera Gissoni sobre aqueles primeiros anos, gravado em 2007, quando o CAP completou 44 anos.

Vera deixou de lado o diploma em técnica de Contabilidade e formou-se, em 1969, em Pedagogia pela universidade Gama Filho. Mais tarde fez Curso de Especialização em Administração Escolar e Pós Graduação em Educação. De professora, chegou à Reitora da Universidade, e mesmo ocupando o cargo máximo da instituição, por muitos anos ainda supervisiou de perto os mínimos detalhes da sua gestão, e ainda fazia questão de entrevistar pessoalmente cada professor contratado pela UCB e pelo Colégio Paulo Gissoni.

Espaços da escola, lugares sagrados

Ao longo de sua vida, a professora Vera Costa Gissoni acumulou ainda conhecimento adquirido em centenas de cursos, congressos e encontros, sempre buscando o aprimoramento da instituição, de seus professores e alunos.

“Buscar conhecimento nunca é demais”, disse certa vez a professora Vera

“Buscar conhecimento nunca é demais”, disse certa vez a professora Vera

Sua presença e atuação constantes guiaram a Universidade por seus caminhos, mas Vera sabia que suas conquistas não eram só suas. Em qualquer ocasião em que falasse em público – fosse uma entrevista, palestra ou discurso – a professora se lembrava de agradecer aos colaboradores que a ajudaram a transformar o sonho em realidade.

Mais do que simplesmente uma Educadora, Vera era uma apaixonada pela Educação, e uma pioneira em buscas inovadoras por um ensino de qualidade para todos. Em meados dos anos 1980, quando as Faculdades Integradas Castelo Branco (FICAB) criaram a Revista Enfoque, para discutir os rumos da Educação nacional, Vera Gissoni escreveu no Editorial do segundo número da Revista:

“O conceito de Educação deve estar sempre ligado à ideia de dinamismo, evolução. Não podemos pensar em educar a partir do estacionamento de métodos e conteúdos, no contrários incorreremos no terrível erro de trilharmos os caminhos que nos levarão à condição de meros repassadores de informações obtidas em nosso passado discente. Se a experiência vivida é válida por ser o patamar de onde nos direcionamos à experiência futura, é a atitude de pesquisa – busca incessante – que nos dará a real condição de educadores. Educar, antes de formar / informar, é pesquisar, avaliar, reformular e manter sempre um espaço disponível para novas aquisições.”

O Amigo Inseparável


Carlos Alberto da Cruz Wenceslau nasceu em Coimbra, Portugal, mas aos 6 anos de idade veio com os pais para o Brasil. Formado em Pedagogia pela Faculdade de Filosofia de Campo Grande, foi pioneiro em Realengo na criação de um curso preparatório para Ginásio, Escola Normal e Científico.

Professor Carlos Wenceslau em seu pioneiro curso preparatório

Professor Carlos Wenceslau em seu pioneiro curso preparatório

Curso Wenceslau

Curso Wenceslau

Um dia, andando pelo bairro em sua famosa bicicleta, professora Vera passou em frente ao Curso Wenceslau e encontrou o professor na porta. Ela parou e os dois começaram a conversar. Nasceu aí uma amizade que se estenderia, cada vez mais forte, por toda a vida desses dois cariocas de coração, educadores por vocação.

“Ela tinha muita confiança nele, pela experiência que ele tinha com escolas. E os dois, sempre muito animados, foram criando planos, foram crescendo... Ele fechou o curso e veio trabalhar com ela”, relembra Vera Wenceslau, viúva do professor Carlinhos, como ele era carinhosamente chamado pelos amigos.

Carlinhos foi o amigo de todas as horas. Ouça o depoimento da professora Vera Gissoni sobre ele, na cerimônia de comemoração dos 15 anos da Universidade Castelo Branco, em 2009.

Juntos, Carlos e Vera transformaram a pequena escola do Barata na primeira universidade da Zona Oeste. Foram anos de muito trabalho, mas não desprovidos de momentos felizes e descontraídos. Muito festeiro, professor Wenceslau era encarredo por Vera das celebrações e festas, na própria universidade ou na propriedade dos Gissoni na Ilha de Itacuruçá.

“Tinha sempre uma missa”, conta Vera Wenceslau, recordando que eram ela e o marido os encarregados de levar o padre de Realengo para a Ilha, no Fusca do pároco. “O Carlos reclamava: ‘A Vera me coloca cada pepino na mão...’ Às vezes o padre atrasava e ela ficava nervosa, mas no final dava tudo certo”, lembra ela.

Para as missas na ilha de Itacuruçá, Carlos e Vera Wenceslau ficavam encarregados de levar o padre

Para as missas na ilha de Itacuruçá, Carlos e Vera Wenceslau ficavam encarregados de levar o padre

Como só os grandes amigos podem fazer, às vezes Vera Gissoni e Carlos Wenceslau reclamavam um do outro, mas eram inseparáveis. Quando viajava, ela nunca se esquecia de mandar ao menos um cartão para o casal Wenceslau, com notícias entusiasmadas e palavras carinhosas.

Carlos Wenceslau morreu em 2003, aos 76 anos. Sobre ele, Vera Gissoni escreveu:

“...Acima de tudo, para mim, foi amigo e companheiro inseparável, entusiasmado e fiel, ativo na construção da Universidade que sonhamos criar, trabalhávamos ideias e projetos, emoções e sentimentos. Muitas vezes, nesses momentos de troca, foi meu ponto de equilíbrio, sempre racional e carinhoso, paciente e habilidoso nas suas ponderações. A Universidade que ajudou a construir lhe deu o título de Professor Emérito, em reconhecimento ao seu trabalho docente. Eu, individualmente, o reconheço publicamente como MEU MELHOR AMIGO.”

Uma Mulher de Visão


Como definir Vera Costa Gissoni?

“Pequena, firme, corajosa, lúcida, Vera Gissoni chega ao seu dia de pleno reconhecimento, quando a escolhem para figurar na galeria de mulheres ímpares do nosso país”.

Talvez ninguém possa fazê-lo melhor que um imortal: foi assim que o professor Tarcísio Meireles Padilha, membro da Academia Brasileira de Letras, a descreveu durante a cerimônia de entrega do prêmio de Mulher do Ano de 1996 na área de Educação, concedido a ela pelo Conselho Nacional das Mulheres

Mas são muitos os adjetivos que se aplicam à professora Vera. Afinal, uma personalidade tão intensa como a dela se compõe de muitas facetas. Vera Gissoni, como as minas de sua terra natal, são muitas.

Guerreira é talvez o adjetivo – entre tantos aplicáveis à professora Vera Costa Gissoni – de que ela mais se orgulhava. Afinal, foram muitas as batalhas na vida desta mulher que transformou um sonho em projeto de vida: levar educação de qualidade aos jovens da Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Vera Costa Gissoni em uma palavra.

Nascida em 9 de janeiro de 1937, essa mineira de nascimento e carioca por escolha transformou a realidade educacional da Zona Oeste do Rio de Janeiro, e deixou como legado para milhares de ex-alunos e funcionários a crença na importância da Educação e o sonho de um mundo mais igualitário e em paz.

Vera Costa Gissoni era uma Educadora por natureza, mas ela compreendia que a Educação não se faz apenas em sala de aula: ela depende de discussões políticas, engajamento social e algumas alianças. Não à toa, a professora Vera era membro de 27 organizações nacionais e internacionais ligadas à Educação.

“O envolvimento e a participação igualitária de todos os segmentos da sociedade na identificação e caracterização dos problemas de educação afetos às respectivas comunidades e a autonomia para criar modelos pragmáticos e próprios de solução constituem requisitos essenciais, a meu ver, de uma educação mais eficiente e menos elitista”,

disse ela em entrevista à Folha Dirigida no Dia do Professor, em 15 de outubro de 1999.

Para Vera Gissoni, “somente com um amplo incentivo à educação o Brasil avançará em seu desenvolvimento”

Para Vera Gissoni, “somente com um amplo incentivo à educação o Brasil avançará em seu desenvolvimento”.

Em certa ocasião, ela escreveu:

“Temos, hoje, a oportunidade de repensar e reconstruir o sistema, devemos fazê-lo, sob pena de passarmos para a história como uma geração acomodada e que, no momento exato, acovardou-se diante da luta democrática de substituir conceitos e ações ultrapassadas por um comportamento educacional coerente com as necessidades da nossa Nação.”

O texto é de meados dos anos de 1980, mas permanece extremamente atual. Hoje, o desafio de gestores, professores e funcionários do Centro Educacional Realengo (CER), entidade mantenedora da UCB e do CAP, é manter vivo o sonho da professora Vera Costa Gissoni, de seguir avançando rumo a uma Educação que dê ao ser humano a dimensão de si mesmo e do papel que desempenha na sociedade.